Como diria Exuperry “as pessoas grandes tem sempre necessidade de explicações”, sendo assim, resolvi explicitar para elas algumas ideias presentes no filme “Click”. Sim, isso mesmo, “Click”, aquele filme do controle remoto, comedinha holywoodiana. Neste momento você se pergunta: “Que merda de ideias terão naquele filminho?” É por isso que as pessoas grandes tem sempre necessidade de explicações.
Vejamos, o filme fala de um homem que ganhou um controle remoto que lhe dá a capacidade de alterar o tempo, quando ele acelera, é como se ligasse o automático, fica totalmente passivo ao ambiente, ou seja, ele não age, apenas reage, não tem interesse nenhum pelo que acontece a sua volta, portanto, neste estado ele não percebe absolutamente nada que acontece a sua volta. Todavia, o controle é inteligente, ele aprende as preferências do usuário, e assim ele começa a passar automaticamente pra frente vários momentos mesmo se o seu possuidor quisesse usufruir mais.
Agora pergunto, o que é esse controle?
Eu diria que todos nós o possuímos e que costumamos fazer a mesma coisa que o personagem principal faz, ligamos o automático e assim deixamos de perceber cada instante de nossa vida. É interessante notar no filme os momentos em que o automático do controle é desligado, ele começa a reparar no mundo a sua volta, questiona as pessoas, é como se ele se fizesse presente, e nos momentos do automático o oposto, ele estivesse ausente.
Quando ele percebe a furada que ele entrou, ele faz de tudo pra se livrar do controle e não consegue, então, em uma manhã, compreendendo como o controle funciona, ele simplesmente modifica todas as suas ações, ele levanta e não vai tomar banho, pois isso acionaria o automatico; ele não troca de roupa; não pega o carro; conclusão, ele vai trabalhar de bicicleta trajado num roupão de banho. Com isso, ele consegue que o tempo não passe mais rápido, consegue apreciar a viagem e a chegada ao trabalho.
Vejamos, não costumamos falar que conforme vamos envelhecendo o tempo vai passando mais rápido? Será que isso se deve porque ligamos o automático? Porque desaprendemos a aprecisar o mundo? “And then one day you find ten years have got behind you. No one told you when to run, you missed the starting gun.”
Para quem não viu o filme, melhor parar de ler agora, pois vou falar o final dele! Rs! Quando ele morre no final, o anjo que lhe deu o controle, vai até ele buscá-lo, pois ele é o anjo da morte. Pois bem, neste momento ele volta no instante anterior ao qual encontrou o controle, ele estava dormindo, tudo aquilo era um sonho absurdamente real. Ele, então, eufórico com a vida, sai dançando pela rua, cantando, fala pro pai que o ama, beija sua mulher, brinca com seus filhos, tudo aquilo que no automático ele não fazia, no automático ele só conseguia trabalhar. Vejamos, a vida dele já estava ligada no automático mesmo antes do controle chegar; quem foi que lhe ensinou a lição, que fez com que ele passasse a apreciar a vida? Justamente a morte. E nós costumamos nos esquecer dela também, pensamos que vamos viver para sempre, isso também nos ajuda a continuar no automático.
Pois é, você já havia visto o filme né? Havia se dado conta disso tudo? Exuperry estava certo... Vamos então voltar a ser crianças, desligar o automático e sentir mais a vida, ela é boa demais pra deixarmos passar despercebida.
Na maioria das vezes eu sou tão desligada do automático que queria conseguir ficar no automático mais vezes. Eu reparo, aprecio e questiono até demais.
ResponderExcluirBacana o texto EdmuRRR!
Muito bom o texto... Ele nos leva a refletir no quanto se faz necessário uma meditação, uma parada em nosso tempo, deslocar-se deste normal indo ao encontro do "Viver"
ResponderExcluirValeu Edmur!!!
A noção de tempo e compasso em relação a vida ajuda bem... o automático é tão automático, que se não ficarmos atentos ele nos leva! Bacana o texto.
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