terça-feira, 17 de maio de 2011

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Que dizer? As vezes é como se eu vivesse sem mim. Uma inconsciência tão forte que simplesmente me leva... Se tento entender, acompanha-me uma tristeza que parece estar em cada lugar que reparo. E é impossível não reparar, mesmo aguardando o sono, na esperança de esquecer, muitas vezes não durmo, assistindo a um espetáculo de imagens, sons, odores, prazeres, que, apesar de serem todos meus, são mesmo assim exteriores a mim. Muito embora tão relaxado com a vida, não consigo um momento de relaxamento.
E a vida, assim, persiste em me devorar. Meu corpo, também exterior a mim, reclama com um involuntário torcer de lábios... Não percebo-o torcendo, apenas já torcido, e sem querer me vejo simplesmente mais triste. Talvez a suavidade do vento gelado tocando minha pele, a profusão de barulhos vindos da rua que, aparentemente, nada me dizem, ou ainda o cinza que invade todo o céu; tudo isto nada me diz, ou pode ser que tudo diga... talvez ainda, tão sem querer, como a sombra se escondendo da luz, eu guarde de mim um segredo que, buscando revelá-lo, atiço a força da iluminação, vejo assim melhor muitos detalhes, todavia não importa a força do clarão: a sombra continua a sê-la.
Onde há luz há sombra. Por trás do céu cinzento, esconde-se um azul sem igual... além do azul: trevas. Não, hoje não estou para pensar o Mistério, a sombra que engolfa toda a luz, e talvez, por isso mesmo, permeia-a. O que me entristece é algo aqui dentro, muito embora, sendo sombra e desconhecimento, talvez haja um forte parentesco.

Um comentário:

  1. No budismo, o "vazio" é uma característica dos fenômenos, decorrentes da observação do Buda de que nada possui resistência à identidade essencial.
    Nos textos mais antigos, geralmente usa-se a palavra no contexto do ensino de que todas as coisas percebidas pelos sentidos (incluindo o sentido mental) não são realmente "eu" ou "meu", e por esta razão não se deve se apegar a eles .

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